quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

NATAL: VIDA TRANSBORDANTE!

"E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir." - Dt. 28:13

Sabemos bem que Natal é a época em que celebramos o nascimento de Jesus. Tudo o demais é acrescentado, seja por que motivos forem. Mas o nascimento de Jesus não é um mero acontecimento histórico que caracteriza uma cultura e sociedade cristã. É tudo além disto!

Aqueles que somos filhos de Deus, que tomamos a Jesus por nosso resgate eterno e o colocamos acima de todas as coisas e decisões, precisamos entender que Ele nos fez um corpo de referência e modelo para uma sociedade cada vez mais corrompida. Jesus declara que nós, Seu corpo na terra, somos "a luz do mundo" (Mt.5:14), e que esta luz não se pode esconder. Há, pois, uma concordância e um alinhamento celestial e designado desde a fundação do universo, a sermos pessoas destacadas e de referência em todos os domínios em que estamos colocados. 

Mas isto não é fácil pois não?
Sermos cabeça, sermos modelo, sermos referência e inspiração, traz sempre um alto preço a pagar: renúncia, decisões contra a corrente, sermos julgados, criticados e perseguidos. Este preço faz parte da vida quotidiana do filho de Deus, não há outra forma! Infelizmente, ainda há muitos filhos de Deus que caminham a lamentar-se pelo que não "podem" fazer, pelo que deixam para trás, como que divididos entre as promessas de Deus e as promessas do mundo. Gosto de salientar a consequência de quem caminha como cabeça: estará sempre por cima e nunca debaixo!

Estar por cima, exalar a vida de Deus, ser usado para salvação de muitos, resgatar vidas do inferno e ser usado em tudo pelo Espírito Santo, é o significado do Natal. E que vida tens se te deixares seguir na Sua Vontade! Vida que cresce sem parar em ti... Vida que atinge a todos à tua volta... Vida transbordante!

Feliz Natal!
Pr. José Carlos Ribeiro

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

SHAMELESS

"Pois eu não tenho vergonha das Boas Novas, porque elas são o poder de Deus para salvar todo aquele que crê: primeiro os que são judeus e depois os que não são judeus." - Rm. 1:16 (VFL)

Nestas palavras de Paulo assistimos a um homem que se sente honrado por anunciar as boas novas da salvação do Homem. E o motivo é claro de entender... É que o evangelho é o poder de Deus. É o poder para salvar e não para destruir. Para curar e não para enfermar. É o poder para libertar e não para prender.

A palavra poder, segundo o original em grego, é "dunamis", que significa ser uma potência que opera no impossível e que ultrapassa todas as barreiras geográficas, sociais e ideológicas. Qualquer pessoa em estado normal não se envergonha daquilo que é poderoso, e Paulo não foge a esta regra. Ele não se importa com o desprezo das pessoas nem com o que falavam sobre Cristo. Paulo serve de inspiração para que sejam gerados novos defensores e propagadores ativos do evangelho! E, por isso, Paulo não se envergonha, pois este poder não é da terra mas sim dos céus, cuja raíz é o amor de Deus pelo homem.

Hoje em dia as redes sociais retiraram o medo das pessoas em exporem as suas vidas pessoais, até mesmo os seus pecados. Então porquê teres medo de expores o evangelho? Deixa a tua luz brilhar, pois a luz precisa ser posta em lugar alto onde alumiará melhor. Se os teus stories no instagram são alimentados pela tua vida pessoal, pelo ambiente no teu trabalho ou pelos feitos dos teus amigos, porque não incluir em alguns stories algum tipo de testemunho ou partilha do que Deus está a fazer? Porque não seres um agente do poder de Deus que mudará a vida dos teus amigos?

Sê corajoso, mostra a tua luz e sê alguém sem vergonha!

Com amor,
Pr. José Carlos Ribeiro

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

INVICTOS

"Ele nos ressuscitou com Cristo e em Cristo Jesus nos acolheu no céu ao seu lado." - Efésios 2:6 (BLT)

A cidade do Porto tem um lema inscrito no seu brasão: “Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto". Chama-se Invicta porque nunca foi conquistada por alguém, nem nenhuma força militar, força política ou reino. Há como que uma carga de invencibilidade sobre os habitantes desta cidade, que faz com que sejam pessoas destemidas, afrontadores de desafios e fortemente desafiadores das adversidades.

Ao refletir sobre esta característica, sendo eu também um Portuense de gema, assiste-me dois pontos:
1) Esta invencibilidade tem-se mostrado nefasta para uma conquista espiritual de cada homem e mulher nesta cidade. Sobre este tema refletirei outra altura.
2) Esta postura invicta, é modelo para a posição que cada filho de Deus tem em Cristo Jesus. E neste ponto quero ficar hoje.

Efésios 2:6 (versículo acima) declara que nós, ressuscitados com Cristo, estamos posicionados no céu, ao lado de Jesus. Não diz que estaremos, que estivemos, nem que poderemos vir a estar. Declara imperativamente que "nos acolheu no céu ao seu lado." É uma posição consumada, verídica e incontornável! Eu estou posicionado juntamente com Cristo Jesus nos lugares celestiais, assumindo uma superioridade sobre toda a circunstância adversa, sobre toda a enfermidade, sobre todo o desânimo, sobre tudo o que o mundo que me rodeia me quer fazer acreditar! E a pergunta é: Será que Jesus, nesta posição, é "incomodado" pelas coisas mesquinhas que o mundo traz? Não! Claro que não! Ele é totalmente incólume a toda e qualquer circunstância humana, corpórea ou espiritual!

Se Ele é assim na posição em que se encontra, e se eu e tu estamos na mesma posição, só te posso afirmar com toda a veemência e certeza: somos INVICTOS!

Com amor,
Pr. José Carlos Ribeiro

terça-feira, 22 de novembro de 2022

SISTEMAS

"Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da vossa mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." - Romanos 12:2

Este é um daqueles versículos que são mais utilizados, citados ou mencionados, seja em pregações, reflexões e estudos bíblicos. É, sem dúvida, um versículo que encerra em si mesmo muitos valores, conceitos e verdades.

Neste versículo está bem definido a existência de dois sistemas de governação:
1) Sistema do mundo  - "padrão deste mundo"
2) Sistema de Deus - "vontade de Deus".

A Bíblia assenta todo o seu ensinamento na contraposição do sistema de Deus ao sistema do mundo. Uma contraposição para nos fazer mover acima das contrariedades e adversidades que o quotidiano nos apresenta. No entanto, para caminhar no sistema de Deus como sistema sobrenatural de existência e evidência da Sua Vida, implica reconhecer o senhorio e soberania do Espírito Santo em nós, sendo Ele conhecedor de todas as coisas!

Em Lucas 5, versículos 1 a 11, temos o relato da primeira pesca milagrosa. Aqui apreciamos a transformação gerada no coração e posterior estilo de vida de Pedro. Transformação, porque antes Pedro trata Jesus como "Mestre" - "epistata" no grego, que significa a identificação de Jesus como conhecedor de determinada arte mas não de pesca. Depois da pesca, Pedro o reconhece como "Senhor" - "kyrios" no grego, que significa o Senhor conhecedor de todas as coisas! Pedro verifica que Jesus assenta o seu ministério no mundo sobrenatural de Deus e não nas leis naturais do mundo.

Esta transformação de Pedro é o mesmo que este versículo em Romanos 12 nos ensina... Renovar, transformar a mente para viver plenamente na vontade, no sistema de Deus.

Hoje, amanhã e sempre, vais ter que tomar a decisão de qual sistema adotas para a tua operação. O sistema do mundo ou o sistema de Deus? As tuas decisões serão de acordo ao vaticínio das leis do mundo? Ou vais experimentar a Sua vontade sobrenatural que é boa, agradável e perfeita?

Com amor,
Pr. José Carlos Ribeiro

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

CONFIA!

"Mas os que confiam no Senhor renovam suas forças; voam alto, como águias. Correm e não se cansam, caminham e não desfalecem." - Isaías 40:31 (NVT)

As águias são aves espantosas! São muitos os atributos que lhes são conferidos e que tanto inspiram o gosto pelo reino animal. Não sou entendido na matéria, de forma alguma, mas no pouco que conheço destes atributos, quero hoje refletir nesta analogia que o profeta Isaías traz, por inspiração do Espírito Santo, para mim e para ti.

Aqui, o profeta escreve trazendo uma comparação, ou analogia, do voo da águia com os homens e mulheres que confiam no Senhor. O resultado expresso desta analogia manifesta-se na isenção de cansaço, fadiga e desistência. Afinal, isto é o que todos queremos! À primeira vista, dá a entender que Deus nos renova as forças como que de forma sobrenatural. E de facto, tudo em Deus é sobrenatural. Mas precisamos ir um pouco mais além e entender o porquê desta analogia com a águia, que nos traz novas forças e esta isenção de cansaço.

A águia sobe até às maiores alturas sem grande esforço. Simplesmente plana sem bater as asas, ou seja, sem esforço, numa espiral contínua, indo cada vez a maior altitude. Quando em grande altitude, e com uma visão absoluta e alargada do terreno cá em baixo, a águia está preparadíssima para desferir qualquer ataque a uma presa, na total capacidade das suas forças, perspicácia e de forma cirúrgica.

Temos que aprender a voar desta maneira! Temos gasto tanto as nossas forças para manter alguma altitude, mas somente precisamos repousar no Espírito Santo, planar n'Ele e com Ele, subir alto e atacar os desafios que temos a cada dia com total destreza, força e capacidade!

Por isso a palavra de ordem hoje é: Confia!

Com amor,
Pr. José Carlos Ribeiro

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

UNDER PRESSURE (parte 3)

"Não vos enganeis: as más companhias corrompem os bons costumes." - 1 Coríntios 15:33 

Nas partes 1 e 2 deste texto devocional de reflexão e posicionamento, refletimos sobre as consequências de cedermos às pressões dos outros para sermos aceites, e adquirirmos o respeito e aceitação pelo amor e cordialidade.

Sempre teremos amigos, colegas e companheiros em todos os contextos da nossa vida, e esses são sempre aqueles que nos influenciam para o bem ou para o mal. Paulo adverte-nos a selecionar bem as nossas companhias. Acontece que, com o discurso de demonstrar amor ao próximo, queremo-nos manter próximos daqueles que não seguem a nossa fé e crenças, e que possuem hábitos menos saudáveis. Com o passar do tempo, e sem nos apercebermos, vamo-nos esfriando e, como brasa fora da fogueira, o calor vai diminuindo e a nossa fé vai-se apagando. Deixamos de ser luz do mundo para, simplesmente, passarmos a ser mais um na multidão. 

Ao escrever a Timóteo, Paulo sempre ressalta a importância de Timóteo ser um exemplo como jovem a ser seguido: "Fuja dos desejos malignos da juventude e siga a justiça, a fé, o amor e a paz, com aqueles que, de coração puro, invocam o Senhor." - 2 Tim. 2:22

Terminamos ressaltando como é importante fugir das nossas paixões, não só em relação a namoro e a relacionamentos, mas também à paixão pela popularidade, a fim de sermos vistos como “não caretas”.  É hora de seres quem és, de provares que em ti reside o amor de Deus, que és luz e que consegues vencer a pressão dos amigos na escola, faculdade, trabalho, bairro e em toda a tua vida. 

Não cedas à pressão. Vive em liberdade!

Com amor,
Pr. José Carlos Ribeiro

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

UNDER PRESSURE (parte 2)

"Ninguém o despreze pelo facto de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza." 1 Tim. 4:12 

O tempo e as experiências trazem amadurecimento, e este é o principal processo para resistir à pressão dos nossos relacionamentos. Por isso, os mais velhos não sentem tanta essa pressão. Ao longo da vida já passaram por diversas experiências e conseguem discernir o que os outros falam, ou quando fazem troça, e, desta forma, tais situações já não têm efeito ativo nas suas vidas.

Dificilmente uma pessoa com mais idade vai deixar de fazer algo que sabe que é bom porque alguém pode zombar dele, mas os mais jovens precisam ter maturidade para enxergar isso... O problema é que a maioria enxerga o agora, querem-se encaixar no "grupo" agora, querem viver o agora e não encaram a pressão que os seus relacionamentos operam sabendo que isso terá um fim. Um dia a faculdade acaba, os amigos mudam-se ou deixam de zombar de ti porque já não têm mais graça.  

Quando zombam de ti, por exemplo, porque não acreditas na teoria da evolução ou não embarcas na ideologia de género, a zombaria vai perder a força quando te portares com firmeza demonstrando a tua fé com amor ao próximo e com ações justas. Um passo importante no amadurecimento espiritual é demonstrar sempre amor ao próximo, tentar não ser reativo, mesmo com aqueles que zombam da tua fé. Isto vai fazer que a pessoa, com o tempo, respeite a tua fé e o teu posicionamento. 

Termino com Efésios 5:8-11
"Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz." 

Deixa que a Luz de Cristo que habita em ti possa raiar sem limitação, sem esconderijos.

Com amor,
Pr. José Carlos Ribeiro

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

UNDER PRESSURE (parte 1)

"Filho meu, se os pecadores procuram te atrair com agrados, não aceites."  - Provérbios 1:10

Todos vivemos debaixo de pressão para nos amoldarmos ao meio em que estamos inseridos, seja na escola, na universidade, no trabalho ou nas amizades. Os mais jovens vivem isto em primeira mão e estão sujeitos a uma grande pressão mas, na verdade, hoje em dia este fenómeno é transversal a todas as faixas etárias.

Todos queremos firmar a nossa identidade, mostrar a nossa personalidade e mostrar aos outros quem nós somos! 

Existe, pois, um problema pelo qual todos passamos... É que para nos encaixarmos num determinado grupo, queremos nos comportar como tal. A partir da adolescência passamos a escolher as nossas roupas e queremos ficar parecidos com alguém a quem admiramos, um atleta, um cantor ou um ator. E desde essa altura da nossa vida e no posterior desenvolvimento da nossa personalidade e convicções, somos levados por diversos padrões de conduta e de valores.

Mas há um detalhe... Devemos enxergar as consequências das atitudes daqueles que não seguem o padrão cristão, o padrão bíblico. Temos uma necessidade premente de identificarmos as pessoas, para sabermos até que ponto a nossa amizade ou relacionamento pode ir. E é fácil fazer esta identificação: piadas sujas; mentiras; criticismos; amargura nas palavras; murmurações; invejas; etc, são um sinal claro que tal pessoa merece o nosso cuidado, merece o nosso amor, mas não necessariamente a nossa amizade contínua.

Pedro alerta-nos para este cuidado:
"Eles dizem coisas orgulhosas e loucas e com os seus desejos impuros e imorais enganam as pessoas que estão quase escapando daqueles que vivem no erro. Prometem liberdade a essas pessoas, mas eles mesmos são escravos de hábitos imorais. Pois cada pessoa é escrava daquilo que a domina." -  2 Pedro 2:18-19. 

Hoje deixo este alerta... Não te deixes sucumbir a esta pressão! Ama as pessoas, relaciona-te com elas, mas sê quem tu és em Cristo e leva contigo a vida abundante que está em ti!

Com amor,
Pr. José Carlos Ribeiro.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

INTENSIDADE

"Ama o Senhor teu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças." - Marcos 12:30

Quando Jesus dá esta resposta, Ele responde a um homem conhecedor das escrituras. De certa forma, eu e tu, que já conhecemos as escrituras, deveríamos continuamente receber a mesma resposta e entender o que aqui nos diz respeito.

A palavra "todo ou toda" mencionada neste versículo, está escrita em grego "apeiron" que, literalmente, traz o significado de: sem qualquer limitação, infinito, com intensidade. Jesus está-nos a explicar que amar a Deus, é algo realizado sem qualquer limitação e com total intensidade, nas diversas áreas constituintes da nossa vivência como seres humanos, ou seja, nas nossas emoções e sentimentos (todo o coração e toda a alma), no nosso conhecimento, estudos, leitura, procurando saber cada vez mais sobre Ele (toda a mente) e com o nosso corpo, serviço, tempo e decisão (todas as forças). 

Jesus é radical nesta afirmação! Ou é tudo de nós, ou é nada!

Existe intensidade impressa neste versículo, existe intensidade no primeiro e maior mandamento deixado por Jesus, intensidade essa que deve envolver todo o nosso ser trino no amor ao Senhor. Amor esse que tem uma voz, amor esse carregado de ações. Aquele que é morno, ou mais ou menos, o que se comporta com mediocridade, o  meio termo e a superficialidade, nunca foi algo aceite por Deus. Ou nos entregamos por completo a Ele e vivemos uma vida intensa na oração, leitura e meditação da Palavra, comunhão e intimidade, ou não desfrutaremos de toda a plenitude que Ele tem para nós.

Tenho a certeza que você não quer viver uma vida dessas. Acredito que você queira, sim, viver o plano e propósito completo de Deus. Este é o tempo de nos levantarmos com intensidade, e não nos conformarmos em viver uma vida na mesmice, sendo movida por circunstâncias ou fatores externos, como se não houvesse uma causa maior para viver. É o tempo para nos esforçarmos, romper com limites e aprendermos a confiar em Jesus na hora da adversidade, não deixando que os momentos difíceis roubem a nossa intensidade de amor por Ele.

Encerro com Romanos 12:11 versão NTLH: "Trabalhem com entusiasmo e não sejam preguiçosos. Sirvam o Senhor com o coração cheio de fervor."

Com amor,
Pr. José Carlos Ribeiro

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

QUE BANDO! (parte 4)

"O meu reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, lutariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora, o meu Reino não é daqui." - João 18:36

(Continuação da semana passada...)

A história da igreja relata a sua ação executada por um bando de loucos: remamos contra a maré; somos considerados "desencaixados"; falamos de coisas que ninguém entende; admitimos a realidade do pecado; o nosso Líder é um morto que ressuscitou e disse que vai voltar; cremos em milagres; anulamos o poder da enfermidade no corpo humano; apregoamos a possibilidade de santificação; temos esperança no mundo vindouro; reconhecemos a existência do inferno; alertamos as pessoas que precisam escapar do juízo; os nossos líderes são, frequentemente, homens e mulheres que reputamos como cheios do Espírito e ensinadores da justiça.

A componente “loucura” é, na verdade, inerente à mensagem do Evangelho porque, como disse Jesus, “o meu reino não é deste mundo”. A isto se associa o facto de que é necessário haver uma certa perseguição aos crentes, ainda que de forma velada, ainda que não a provoquemos, ainda que procuremos viver em paz. A Igreja nunca estará confortável neste mundo... Quem está confortável precisa rever se é verdadeiramente um servo de Deus fiel. A oposição a esta "loucura" vem pela Fé e Razão, que constituem dois meios de obtenção do conhecimento verdadeiro, mas cada uma preenche o espaço que Deus lhe reservou. Na verdade, a razão serve para compreender as coisas espirituais mas, atenção! Somente o homem espiritual consegue que a sua razão seja iluminada pelo Espírito Santo, o que se alcança por meio da fé.

A boa teologia não é irracional, tampouco racionalista: a boa teologia é aquela que reconhece os limites da razão humana e que glorifica a Deus, justamente por entender que a Sua Palavra revela mistérios.

Este é o "bando" a que pertencemos! Desafiados a viver uma "loucura", mas adaptados a transformar todas as circunstâncias à nossa volta!

Que bando!

Com amor,
Pr. José Carlos Ribeiro

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

QUE BANDO! (parte 3)

"De repente, Festo gritou: 'Paulo, você está louco! O excesso de estudo o fez perder o juízo!'." - Atos 26:24 (NVT)

(Continuação da semana passada...)

Se em Jesus podemos ver um exercício de variedade de coisas "loucas", como não pensar na "loucura da pregação" a que Paulo se refere em I Coríntios 1:17-31 e 2:1-16? Como não verificar que a mensagem da cruz é inadmissível, e o comportar da ação do Seu Reino entre nós aqui na terra é incompreensível à perspetiva humana? Como cabe na razão humana que um Deus pôde enviar o Seu Único Filho para morrer por figuras que Ele criou, sabendo que iriam pecar? E de onde vem tanto amor? Só um atestado de "loucura" pode justificar estas interrogações!

Desde sempre existiu a suspeita de que os crentes são fanáticos: no Sinédrio, Gamaliel, doutor da lei e fariseu, ao debruçar-se sobre a pregação cristã, citou como precedentes os casos de dois movimentos sectários liderados por Teudas e Judas, o que evidencia a acusação que pesava sobre a comunidade cristã em seu nascimento (At 5:34-41); numa audiência judicial, na presença do rei Agripa, o governador Festo disse ao Apóstolo dos Gentios: “Paulo, você está louco!" E qual era a "loucura" de Paulo? Ele falava da ressurreição de Cristo como fundamento da salvação.

Voltando ao episódio de base a este texto devocional referido na parte 1 - “E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão. E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.” (Marcos 3:20-21) - abro agora um parênteses para pensar sobre a situação de Maria que, aqui, estava junto com os restantes familiares que vieram buscar a Jesus. Nesta altura, Maria, parece não se ter lembrado das coisas que o anjo Gabriel lhe dissera ao anunciar o nascimento de Jesus (Lucas 1:26-38). Também aqui vemos coisas “muito loucas”:
1) Ela mesma fora escolhida dentre todas as mulheres para uma missão extraordinária;
2) Ela era virgem, e conceberia do Espírito Santo;
3) O Seu Filho seria “grande”, chamado “Filho do Altíssimo”, rei constituído por Deus, para sempre, sobre o trono de Davi.

Agora, esse Filho estava ali, dentro de uma casa de terceiros, sem se alimentar, cercado por uma multidão ansiosa e em franca contradição quanto aos fariseus e escribas, que representavam o sistema religioso… A meu ver, talvez Maria tenha pensado que tudo aquilo que presenciava estava muito distante do que lhe fora prometido pelo anjo.

Jesus, Paulo, Maria... Todos estes são elementos que fazem parte desta gente louca que parece mover-se num sentido contra corrente e, tantas vezes (se calhar todas as vezes!), julgados como insanos pela conjuntura de vida e do sistema humano! Mas Que Bando!

Estarás a ser julgado como parte deste bando? Será bom que assim seja...

(Continua na próxima semana...)

Com amor,
Pr. José Carlos Ribeiro

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

QUE BANDO! (parte 2)

"E maravilharam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade e não como os escribas." - Marcos 1:22

[Continuação da semana passada...]

Jesus vinha a fazer algumas coisas bem “loucas”: Ele tocou num leproso, dizia que perdoava os pecados, comia com publicanos e pecadores e, em dia de sábado, curou um enfermo e deixou que os Seus discípulos colhessem espigas. Multidões o procuravam, primeiro de Cafarnaum, depois de toda a Galileia, Judeia, Idumeia, e de além do Jordão, de Tiro e Sidom.

O movimento liderado por Jesus e os seus discípulos crescia, agregava pessoas de perto e de longe e, embora Jesus pedisse que elas fossem discretas, elas saíam divulgando os factos que testemunhavam (Marcos 1:43-45).

Tudo era inédito! O ensino de Jesus era considerado diferente, porque falava “como tendo autoridade e não como os escribas”. A novidade das palavras e obras d’Aquele Profeta satisfazia as profundas necessidades de um povo sofrido e desprezado.

Com estes elementos, podemos entender que Jesus era acusado de ser uma espécie de líder religioso fanático, irreverente, sectário, um personagem que incentivava a criação de uma seita dentro do Judaísmo. Foi por causa dessa suspeita que, depois de um interlúdio relativo à acusação de ser endemoninhado, a família de Jesus se postou do lado de fora da casa em que ele Se encontrava (Marcos 3:31-35). Maria e os irmãos do Senhor “mandaram-no chamar”, ao que Jesus, de modo maravilhoso, respondeu que a Sua família é composta por aqueles que fazem a vontade de Deus.

Hoje continuamos a testemunhar posicionamentos idênticos... Aqueles que são do "bando" que fica do lado de fora e fazem juízos, e aqueles que são parte do "bando" que está dentro da ação.

Hoje, possuidores de todos estes dados e episódios narrados, sabemos qual o "bando" que foi determinante para que a Salvação viesse ao mundo e o Seu Reino tivesse começado a ser implantado na terra! Que bando!

E, já agora, qual é o teu bando?

[Continua na próxima semana...]

Com amor,
Pr. José Carlos Ribeiro

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

QUE BANDO! (parte 1)

“E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão. E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si”. - Marcos 3:20-21 

O sofrimento de Jesus não se restringiu à Cruz. Durante toda a Sua vida, Ele sofreu com a hipocrisia, a mentira, a inveja, a falsa religiosidade, os intentos malignos, a discriminação e a rejeição. A Sua angústia era maior porque, sendo Deus, conhecia os corações: ao conversar com as pessoas que O elogiavam ou O tratavam com brandura, podia enxergar claramente que, nem sempre, a cordialidade refletia um coração honesto.

Ao ler o Livro de Marcos, deparamos com estes versículos no capítulo 3, que são bastante intrigantes. Até aqui, passamos por diversos episódios registados nos evangelhos, por exemplo: o ministério de João Batista apresentado como cumprimento de Isaías e Malaquias; o batismo no Jordão; a tentação no deserto; o início do ministério de Jesus (na Galileia); a cura do endemoninhado em Cafarnaum; a cura da sogra de Pedro; uma síntese de várias curas e expulsões de demónios; o momento em que Pedro diz “Todos te buscam”; a cura de um leproso; a cura do paralítico em Cafarnaum; a vocação de Levi (Mateus); o banquete na casa de Levi; a controvérsia em torno do jejum; a questão em torno do sábado; a cura do homem da mão mirrada; a expansão regional do ministério; a eleição dos Doze.

É então que, antes do relato da blasfémia dos escribas, que acusaram Jesus de ser endemoninhado e de expulsar demónios em nome de Belzebu, vemos este relato de que a família de Jesus foi procurá-Lo, por ter ouvido dizer que Ele estava “fora de si”. Aqui, Marcos regista de forma sonante que os Seus familiares “saíram para o prender”.

Mas, então, o que Jesus andava a fazer para que o boato de loucura fosse espalhado? Sabemos bem que o ministério de Jesus causava agitação social ao participarem pessoas com deficiências físicas, carentes, enfermas, problemáticas, preocupadas, angustiadas, desabilitadas – enfim, pessoas tidas por “anormais” e “pecadoras”. Para aqueles que se achavam justos, este comportamento só podia ser atribuído à loucura do protagonista. Onde já se viu liderar uma multidão de desajustados sociais a partir de fundamentos insólitos?

Esta multidão era um verdadeiro bando de casos de ação sobrenatural. E talvez pudéssemos dizer na época: «Que bando!» 

Hoje esse bando existe? Conheces por fora ou és parte dele?

(Continua na próxima semana...)

Com amor,
Pr. José Carlos Ribeiro